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Recanto das letras

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

TRIBUTO AO MAR!


Infinitamente pequena,
Sinto-me, ante tua imensidão,
És filho, da natureza,
Sangue de suas veias, o coração...

Que pulsa forte e ritmado,
Ditando ao vento, um lindo recado,
A onda, o ouve e para mim, murmura,
-És pequenina, mas de Deus, também, criatura...

Meus pés afundam, estou presa ao chão,
Abro os braços e choro, rendo-me à emoção,
A minha frente te exibes, em ondas gigantes,
Uma cortina, com fios de ouro e brilhantes...

Em simbiose perfeita, neste momento sagrado,
Meu corpo entregue, meu cabelo molhado,
Sinto na boca o gosto, de lágrima, salgado,
Compreendo então... És, todo o pranto...
Que pelos anjos... Foi chorado...

      Lani (Zilani Celia)

sábado, 6 de janeiro de 2018

ESPECTRO DE MIM!



Extirpaste de meu peito a esperança,
Com golpe certeiro, quebraste nossa aliança,
Frágil, como o eram as falsas juras,
Corrompidas, contaminadas, impuras...

De peito aberto, doendo, sangrando,
Sublimei a dor, segui te amando,
Fechei meus olhos, engoli o pranto,
Um passo atrás de ti, continuei andando...

Arranquei ervas daninhas, de teu caminho,
Com duras pedras, construí meu ninho,
Arrumei-te a cama, com lençóis de puro linho,
Estendi-te a taça, para sorveres um bom vinho...

Em bandeja de ouro ofereci-me, como prêmio,
Desdenhaste de meu corpo, olhei-me no espelho,
O que vi foi o espectro, de alguém, que eu conhecia,
Destruída, nem perto...  Do que já fui um dia...

       Lani ( Zilani Celia)

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

O SILENCIAR DAS PALAVRAS!

Cala-se a voz, no semblante a brancura,
A garganta dói, ao raspar-lhe a palavra,
Não disse nada e ninguém nunca soube,
Quão linda seria, sua, última frase...

Com os olhos fechados a trancafiava,
Queria dizê-la, mas estava grudada,
Agitava os braços, ela não se movia,
Gritava em silêncio... E a voz, não lhe saia...

Com os olhos, pedia, - Não desapareça,
Queria sentir-te, falar - Não me esqueça,
Gritar por um nome, não o conseguia,
Um ronco, tão triste... E a voz, já não saia...

Tentou dizer tudo, ouviu-se um gemido,
Não era palavra, só, um triste grunhido,
Doeu tão profundo, que a alma o sentia,
Corriam as lágrimas... E a voz... Não mais saia...


   Lani  (Zilani Celia)

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

VENTO!

             Vento, impõe sobre mim, tua força,
Se pedir pr’a parares não me ouça,
Arrasta-me para o alto da minha esperança,
Onde a dor, por mais que queira, não me alcança...

Deixa-me rodopiar em tuas asas, como bailarina,
Confiante soltar-te a mão, como o fazia em menina,
Brincar nas estrelas, pular amarelinha,
E aconchegar-me a ti, quando chegar a noitinha...

Quero voar contigo, meu amigo, irmão,
Livrar-me das amarras, que me prendem ao chão,
E, ao rompermos juntos, a barreira da razão,
Restar-nos, intacto e livre, um só coração...

Vento, entrego-me a ti, aqui e agora,
Se tiver de mais sofrer, jogue, minha chave fora,
Ao sabor de teu sopro, meu corpo descansa,
Liberto, renovado... Repleto de esperança...


    Lani (Zilani Celia)

sábado, 21 de outubro de 2017

PARA SEMPRE!

Quebrei minhas regras e me entreguei,
Abaixei a guarda e me apaixonei,
Com olhos cegos que só a ti viam, te fitei,
Mesmo com eles secos, na noite te chorei...

Meu corpo, quase morto, se enrosca no teu,
Que inerte, junto ao meu permaneceu,                       
Meu coração infeliz, sentiu que te perdeu,
Quando teu olhar, afastou-se do meu...

Sei que é a última vez, tento dar–te um abraço,
Sinto tua rigidez, no leve carinho, que te faço,
Finges dormir, minhas lágrimas disfarço,
Lentamente saio e bato a porta, de nosso quarto...

Como entraste em minha vida, agora sais,
Sem a mínima cerimônia, de mim te vais,
Atrás de ti, ficam os ecos de meus ais,
E tristes dias, que serão... Para sempre, iguais...


    Lani (Zilani Celia)

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

PELAS ESTRADAS DO MUNDO!



O asfalto abre-se, a tua frente,
Brilha no fim da tarde, indiferente,
O vento interpõe-se, ao teu avanço,
E açoita-te, implacavelmente, o rosto...

Teus cabelos lançam-se, no vazio,
Como loucos, entrelaçam-se, fio a fio,
Entregam-se, ao frenesi, da velocidade,
E ao tempo, com pressa e intensidade...

Rasga o silêncio, o ronco forte do motor,
Potente, ela finge que geme, de dor,
O horizonte, com seu manto multicolorido,
Abre os braços e te recebe em seu abrigo...

Quando a noite cai, te envolve a solidão,
A seguras forte, ouves teu coração,
Teu corpo e a moto azul, por um segundo,
Fundem-se a correr... Pelas estradas do mundo...


   Lani (Zilani Celia)
            Parabenizo meu filho Alessandro, pela passagem de seu aniversário,
 escrevi este texto para homenageá-lo já que seu hob é sua moto azul e com 
ela viaja pelo mundo. Seja feliz  filho e que as estradas da vida estejam sempre 
abertas para te receber com um grande abraço. Bjs



sexta-feira, 22 de setembro de 2017

REMINISCÊNCIA!

O céu está cinza, cai a chuva lá fora,
À mente reporto, lembranças de outrora,
Revejo o momento, em que fui embora,
Era jovem, só queria, buscar minha história...

Pelo retrovisor, vi minha mãe, em pé na calçada,
Sua roupa molhada, em seu corpo colada,
Pareceu-me tão só, tão desamparada,
Em seu rosto sulcado, eu via, uma lágrima...

Acelerei, mesmo triste, fui saindo,
Certa de que o tempo, para tudo, é lenitivo,
Mesmo assim, toda a vez que ali, eu retornava,
A via sofrer, mas, ela nada me falava...

Hoje entendo, pois é meu, o filho que se vai,
É meu o coração, que de dor se abre, se esvai,
Sou eu agora, na porta de nossa casa...
E, como minha mãe, choro... Sozinha e calada...



     Lani (Zilani Celia)